Arquivos Mensais: Junho 2008

(notícia retirada de www.diario.iol.pt)

No dia em que Cavaco Silva pediu aos emigrantes para ajudarem Portugal, durante as comemorações do 10 de Junho, eis que surge o primeiro sinal de investimento no nosso país. Trata-se da Cidade do Cinema, que deverá nascer na margem Sul. Um projecto de cerca de 300 milhões de euros, liderado pelo emigrante na Califórnia Carlos De Mattos, e que deverá criar 4000 postos de trabalho directos.

Cavaco Silva pede a emigrantes para ajudarem Portugal

A informação foi confirmada ao PortugalDiário por Eduardo Martins, parceiro de negócio do investidor, que anunciou, ainda, a intenção de «erigir um pólo universitário no local, para ajudar a desenvolver a indústria cinematográfica em Portugal». A localização na margem Sul do Tejo é favorecida pelo novo aeroporto de Lisboa, bem como a ligação ao TGV, sendo que intenção é atrair os grandes estúdios de Hollywood a filmar neste espaço.

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Alexandra
o pó da guerra
(texto publicado na edição de ontem de «O Primeiro de Janeiro»)

Em 1997, saí do cinema extasiado (ainda me lembro: foi na sala de cinema que eu mais gostava, o Nun’Álvares). Acabara de ver a descoberta de um grande filme, que era, ao mesmo tempo, a descoberta de um autor. Era uma espécie de lição poética do cinema, algo que, mais tarde, percebi ser de longa tradição no cinema russo (era, portanto, um filme filiado nessa tradição). Tratava-se do maior sucesso, à data, do realizador Aleksandr Sokurov e o filme era o magistral «Mãe e Filho». Depois, o realizador tornou-se mais presente nas salas portuguesas, assinando uns filmes tão bons e outros menores. Mais tarde, Sokurov voltou com outro filme-limite: «A Arca Russa», filme-acontecimento filmado num único plano-sequência no Museu Hermitage. Contudo, esse filme nunca chegou a ter uma verdadeira estreia comercial em Portugal (apenas passagens pontuais em ciclos especiais). Foi com este historial que voltei ao seu cinema, agora com a estreia do seu último filme, «Alexandra», que chega a Portugal com mais de um ano de atraso (esteve presente na edição de 2007 de Cannes).

«Alexandra» é um pequeno filme de Sokurov, que segue, na sua narrativa, a viagem de Alexandra, uma velha senhora russa, que visita o seu neto num campo militar na Chechénia. Alexandra viaja com os soldados num comboio militar e, já no campo, visita atentamente todos os seus lugares mais escondidos, onde descobrirá a forma pouco higiénica com que os soldados vivem. O seu neto mostrar-lhe-á alguns desses locais, nos tempos mortos em que não está em serviço. Mas Alexandra terá também tempo para visitar o mercado da aldeia mais próxima e privar, ao nível dos olhares, com os seus habitantes. É, pois, na descoberta desse mundo novo que o filme se coloca perante o olhar de uma velha anciã russa.

Não há dúvida que o filme tens as marcas mais evidentes do cinema de Sokurov: uma atenção visual pelo real, pelas cores e pelos cheiros que se sentem naquele microcosmos de guerra. Nesse sentido, mais uma vez, este parece ser um filme antropológico, num sentido muito humanista: o que interessa ao realizador é que as personagens sejam verídicas, que sintam o cansaço nas pernas e o calor que o filme transparece. Nesse sentido, as personagens de Sokurov são um espelho para o espectador, que deve sentir essa latência que salta da película. Apesar disso, o filme é bastante diferente de «Mãe e Filho», sobretudo na sua ligação com o real. Em «Alexandra» tudo converge para a situação política, mesmo que apenas subtilmente, ao nível dos diálogos, isso seja aludido (já que visualmente será demasiado óbvia a destruição que veremos na aldeia).

Nesse sentido, vale a pena recordar que o filme foi rodado na própria Chechénia (ao contrário da maior parte dos filmes que abordam o conflito, que filmam em lugares visualmente semelhantes), sob dificuldades logísticas. Para além disso, a protagonista, Alexandra, é interpretada por um diva da Ópera Russa, Galina Vishnevskaya. Algo que só pode ser marcante, em todo o contexto narrativo do filme: uma avó que visita o seu neto perto do local de guerra e nota nele um mudança de atitude, uma única propensão para a guerra, ele que já não sabe quantas pessoas matou.

Enfim, Sokurov volta em «Alexandra» a dar um tom poético, mas aqui esse tom é, sobretudo, encontrado no próprio ritmo narrativo. Neste filme, a tonalidade visual é, por outro lado, bastante realista, dando a ver o pó e a areia que anda sempre no ar, contaminado os corpos nus dos soldados. Há, por isso, uma consciência clara de que a guerra interminável da Chechénia é ainda um indício de vergonha para o governo russo e para a consciência mundial. Ao seu estilo, Sokurov mostra-nos as marcas e as rugas que essa guerra já causou. No lado checheno, mas também no lado dos soldados russos. Porque a guerra altera sempre todos os que estão envolvidos nela.

«Alexandra» («Aleksandra»). Um filme de Aleksandr Sokurov, com Galina Vishnevskaya, Vasily Shevtsov e Raisa Gichaeva. França/Rússia, 2007, Cores, 90 min.
Site Oficial: http://www.sokurov.spb.ru/


um pouco mais do mesmo…
(texto publicado na edição de ontem de «O Primeiro de Janeiro»

Há cerca de dez anos atrás, uma estação de cabo americana dava os primeiros passos para a transformação radical do panorama televisivo. Tratava-se da HBO e produzia, por aqueles tempos, séries como «Sete Palmos de Terra» (2001) ou «Os Sopranos» (1999). Desses marcos transformadores da linguagem televisiva, apareceu também «Sexo e a Cidade» (aliás, previamente às anteriores, em 1998). No conjunto, estas três séries (e outras que lhes seguiram) traziam uma nova abordagem temática e cinematográfica à forma como se fazem as séries de televisão. É na consequência óbvia do sucesso de «Sexo e a Cidade» que surge, nas nossas salas, o mais do que esperado filme a partir da série, com o título homónimo. Depois de algumas complicações (sobretudo devido às negociações com Kim Cattral/Samantha, que protelou o filme durante três anos), o criador e realizador da série, Michael Patrick King, consegue assinar a realização do filme. Na verdade, como muitos esperarão, a película segue fielmente a lógica da série, agora encurtada para “caber” no filme de duas horas.

A narrativa – mais uma vez iniciada e contada pela voz de Carrie – apanha as quatro protagonistas num patamar diferente da vida: todas elas estão agora apaixonadas e a viver com os seus respectivos homens. Por um lado, Charlotte e Miranda casaram e tiveram filhos (a de Charlotte é adoptada); por outro, Samantha vive agora em Los Angeles com um actor de Hollywood (sendo a sua agente). Finalmente, Carrie juntou-se com Mr. Big, o eterno e adiado amor da série de televisão. Na verdade, o filme começa com a sua decisão em se casar. Contudo, Mr. Big/John acaba por deixar Carrie pendurada no dia de casamento. É a oportunidade para o filme dar um longo tempo para a recuperação emocional de Carrie e a respectiva reconciliação com Mr. Big. Durante esse tempo, veremos as voltas que as vidas das suas três amigas dão.

Como se pode ver pela sinopse linear, «Sexo e a Cidade» acaba por ser estruturado como um típica comédia romântica. Contudo, a forma mais “dramática” como o filme é colocado acaba por desfavorecê-lo, já que se torna demasiado previsível. Nesse sentido, tudo se encaminha para a resolução (com mais ou menos tempo para “recolocar” as personagens na rota das outras), algo que é dramaticamente castrador de alguma ambivalência que a série de televisão produzia. A série, no advento no século XXI, apostava naquelas quatro personagens como representantes de uma certa cultura urbana nova-iorquina, com as suas formas múltiplas de relacionamentos. O filme, contudo, com o argumento de que as personagens “estão mais velhas” torna-as mais previsíveis e, por isso, menos interessantes. Não é que seja menos “realista”, mas é bem menos problemático. E sem um “bom problema” o filme também perde.

Ainda assim, todo o look da série se mantém, com as cores bem atraentes dos vestidos mais improváveis que as quatro mulheres vestem. Nesse sentido, este «Sexo e a Cidade» continua óptimo, com uma panóplia de guarda roupa impressionante e nunca deixando as personagens vestir roupas “menores”. Sente-se também que esta é uma versão mais «light» da série – talvez para ficar conforme uma faixa etária mais comercial – abdicando de algumas cenas mais «picantes», que, mesmo assim, ainda aparecem. Em conclusão, como o formato de comédia romântica não é alterado, o filme fica bem menos interessante. Sobretudo por isso, soa a uma oportunidade perdida para poder rever a confusão sentimental que a série convocava.

«Sexo e a Cidade» («Sex and the City»). Um filme de Michael Patrick King, com Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon. Estados Unidos, 2008, Cores, 148 min.
Site Oficial: http://www.sexandthecitymovie.com/

Daniel Ribas

Enviaram-me o seguinte e-mail que transcrevo:

“PELA ABERTURA DE UM POLO DA CINEMATECA NACIONAL DA CIDADE DO PORTO 

A cidade do Porto sofre de vários e complexos problemas na área da cultura, como é do conhecimento geral. No entanto, esta situação não é generalizável a todo o país. Efectivamente, Lisboa continua a usufruir de forma centralizada dos serviços de certas instituições culturais que deveriam fazer jus ao seu âmbito nacional, como, por exemplo, a Cinemateca Portuguesa, um organismo público suportado pelos contribuintes a nível nacional. 



No Porto, é de grande interesse público a criação de uma extensão da Cinemateca, o que permitiria acabar com a carência de exibição cinematográfica sentida na cidade, ao nível da produção anterior à década de 90….” .

É neste sentido que está a circular um abaixo assinado com o objectivo de trazer a Cinemateca Nacional para o Porto, através da abertura de um pólo daquela instituição na nossa cidade.



Assinem em: http://www.petitiononline.com/Circuito/petition.html

 …e passem palavra!

Este abaixo assinado tem como suporte um documento, que podem consultar em http://www.circuitocinema.blogspot.com/, no qual se explicam os fundamentos para este abaixo assinado.”